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Sexta, 20 de Outubro de 2017
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Meio Ambiente
Data da entrevista: 
 
Ocupação desordenada de áreas de mananciais pode comprometer a qualidade da água utilizada para consumo de grande metrópoles, como a Capital Paulista.

Por onde passa, o ser humano acaba deixando lixo não orgânico que, quase sempre, é levado para os reservatórios. Todos sofrem com esse tipo de poluição, até mesmo quem mora em bairros do centro da cidade. É o que explica Carlos Bucui, ambientalista e membro do Consema, Conselho Estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em entrevista ao Poupetempo.

Poupetempo: As represas Billings e Guarapiranga têm saúde?

Carlos Bucui: Na situação em que se encontram hoje os nossos reservatórios, o primeiro aspecto que temos de discutir é o da potabilidade da água, se ela atende ou não a população de São Paulo. Ou seja, se essa água poderia ser oferecida à população. Do ponto de vista químico, certamente ela não atende aos padrões de potabilidade. O que nós precisamos fazer é não permitir mais a ocupação dos mananciais para que se tenha uma situação de poder controlar a qualidade dessa água.

Poupetempo: Como começar a tirar essa população que reside em áreas de mananciais?

Carlos Bucui: O primeiro passo é parar a ocupação ilegal dos mananciais. O ponto que nós nos debatemos é o do congelamento da situação atual. Para que isso ocorra, tem que haver um cadastramento da população local e não se permitir a construção de mais um galinheiro em área de mananciais. Mesmo porque, o estado de legalidade de caos se apresenta normalmente numa situação de ingovernabilidade em que o processo da impunidade faz com que essa ação seja contínua, não pare. É aquela pessoa que diz, por exemplo: meu primo construiu ali, a casa valia dez e hoje vale cinquenta. Como não aconteceu nada com ele eu vou construir também. É preciso cortar esse processo de ingovernabilidade, de falta de punição para quem constrói em área ilegal.
O segundo passo é o planejamento da recolocação dessas pessoas. Inicialmente, das pessoas que ocupam áreas de risco e fundos de vale, de onde não é possível retirar esgoto e as pessoas chegam a correr risco de vida. Estão ali e se cair uma chuva forte, podem até morrer. Depois, é preciso dar solução para as pessoas que residem em áreas que recebem águas pluviais, nas cabeceiras de drenagem. Assim, através de um processo prioritário de manutenção dos sistemas que existem ao lado dos reservatórios, vamos trabalhando para conseguir retomar o mínimo da capacidade de produção de água desses locais.

Poupetempo: Qual é a situação da Guarapiranga hoje?

Carlos Bucui: Ela é potável mas a qualidade futura não está garantida, porque depois de gastar 550 milhões de reais se conseguiu muito pouco com a Guarapiranga. Isso ocorreu porque a sociedade não teve a inteligência de cortar o processo de ocupação daquela área. Toda vez que eu vou à Guarapiranga, e faço isso a cada 15 dias, eu encontro mais 40, 50 casas construídas em algum local que eu já conheço e que a gente está observando, principalmente em fundos de vales. O estado de ingovernabilidade é brutal. As pessoas continuam construindo sem nenhuma fiscalização ou controle. Então, o estado da Guarapiranga tende a se agravar, pela poluição difusa.
Parte do esgoto foi retirada, mas a poluição difusa continua a assolar o reservatório e também a poluição pelo esgoto.

Poupetempo: O que é poluição difusa?

Carlos Bucui: A poluição difusa é diferente da poluição de esgoto, aquele que vem do ralo, da cozinha, do banheiro da casa. A poluição difusa é tudo aquilo que existe no ambiente, a graxa do automóvel, passando por resíduos, como veneno para rato e garrafas de plástico. Quando chove, tudo isso vai parar dentro da represa, inclusive o lixo. Todo o tipo de resíduo não orgânico, que acaba sendo levado para a represa forma essa poluição difusa. São produtos que estão numa área de manancial por causa da presença do homem. Por isso dissemos que a ocupação dos mananciais é totalmente contrária à qualidade ambiental da área. Sempre que há um homem numa área de manancial ele vai levar para esse local produtos que vão formar a poluição difusa.

Poupetempo: Qual é a situação da represa billings?

Carlos Bucui: Na Billings, a situação é muito parecida. Por ser muito grande, com 900 quilômetros de margem, a Billings tem ainda 70% de sua área preservada. São áreas mais distantes da metrópole. A ocupação urbana foi se expandindo e parou às margens da represa. Do lado da metrópole é mais difícil. Na outra margem, ainda é possível fazer um trabalho para conter essa ocupação.

Poupetempo: E esse trabalho vem sendo feito?

Carlos Bucui: Não vem sendo feito. O Governo do Estado não tem vontade política para isso. Há um setor que cuida do uso e ocupação do solo que deveria ter, segundo declarou a Secretaria do Meio-Ambiente em 1997, 85 fiscais para fiscalizar efetivamente os mananciais de São Paulo. Hoje são apenas 7 fiscais. Na época em que nós nos queixamos da quantidade de fiscais, havia 17 pessoas. Ou seja, o número diminuiu. Por outro lado, o Estado diz que essa é uma responsabilidade conjunta com os municípios. O município é que deve fazer essa fiscalização. Mas ao invés de assumir seu papel de responsabilidade concorrente ele é também co-irresponsável. Não cumpre o seu papel, porque tem todo aquele clientelismo. O setor de obras dessas prefeituras não atua em mananciais. Muitas vezes, uma obra no centro da cidade é embargada e, ao mesmo tempo, nasce um bairro em área de manancial e a prefeitura não atua por lá. E vem toda aquela história que a gente já conhece do clientelismo, dos cabos-eleitorais, da má-política. Há sempre aquela tutela de ocupação irregular, fruto da péssima política praticada pelos vereadores. Tem até um ditadinho que diz que aquele que consegue criar uma posse irregular em área de manancial está eleito para o resto da vida. Ele mantém aquela população refém dos benefícios que possa prover com o tempo.

Poupetempo: O que as pessoas que não moram nessas áreas podem fazer para preservar os mananciais?

Carlos Bucui: Os grandes ausentes nessa discussão são os bairros centrais, estabelecidos legalmente. E eles serão os mais atingidos no futuro. Quando se fala em água, estamos falando do maior insumo para se manter a vida numa metrópole como São Paulo. Aquela população que tem uma qualidade de vida razoável, nos bairros menos pobres, ela está, de certa forma, divorciada da luta pela preservação das áreas de entorno. Mas elas também serão vitimadas, de várias formas. Primeiro, pela pior qualidade da água que vão receber. Segundo, pela falta de ventilação da cidade, por causa da destruição do cinturão verde da metrópole, que causa inclusive o aquecimento. Ou seja, de alguma forma, todos na cidade serão vítimas da ocupação desordenada das áreas de mananciais. Digite aqui a entrevista
 
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